sexta-feira, 25 de maio de 2012

Dia de Finados ou Dia dos Espíritos?




     O dia de finados, é consagrado àqueles que regressaram ao mundo Espiritual, não é dia de finados, é dia dos Espíritos. Dia de nossos parentes amados, dia de nossos Guias venerados, dia daqueles que, pela carne e pelo espírito, conosco se uniram por profundos laços afetivos, os nossos parentes e os nossos amigos, que nos antecederam na partida para outros planos de existência. Dia, também, daqueles que, sem terem estado ligados a nós pelos vínculos consanguíneos de remotas eras a nós se prenderam por indestrutível afeição, os nossos Protetores, os nossos Guias Espirituais, em suma, os nossos melhores amigos, de vez que, com inauditos sacrifícios, lutam por nossa ascensão espiritual. O dia dito finado é, portanto, um dia de saudade e de gratidão. Gratidão aos Protetores, que, no Além, velam por nós. Saudades dos entes queridos que, embora, no Além, permanecem em nosso coração. Presos pelo coração, presentes estarão sempre em nossa memória. Por saber que não se finam os que partem para o Além; e que, os que verdadeiramente se amam, unidos pelo amor, continuam, como Espíritos imortais que são, que nós, espíritas, comemoramos o 2 de novembro não como que rende culto ao corpo, reduzido a um punhado de pó, no fundo do sepulcro, mas como quem sabe testemunhar aos que se foram, imperecível amizade, renovando, nesse dia, a prática de todos os dias, permutando com eles os melhores pensamentos e os fluídos mais puros, através do transcendental poder telepático da oração.
O dia de finados é, na verdade, dia de renovação, de meditação e de oração. Evocação dos entes amados, que já partiram para a vida espiritual, renovando com eles os laços afetivos, em moldes menos egoístas, expungidos das sensações terrenas e sublimados no mais puro amor, que é o amor fraterno!
É dia de meditação sobre nosso destino, pois amanhã estaremos também, do lado de lá, despidos do corpo carnal, e, sem dúvida, mais vivos do que hoje, para acertarmos contas com a Justiça Divina! É dia de oração em prol do progresso espiritual de quantos nos são caros, bem como de todos a quem somos devedores; pois, se a elevação dos amigos nos dá alegria, a regeneração dos inimigos nos poupa sofrimentos. Evocação, meditação e oração, que não devem ser situadas, à beira do jazigo, onde rondam Espíritos atrasados, empedernidos autores de crimes hediondos, ou castigados pelo próprio ateísmo. De toda forma, desejosos de absorverem, em execrável vampirismo, os últimos resíduos de fluido vital dos cadáveres em decomposição e condenados a sentirem, no próprio Espírito, as pavorosas sensações da desagregação corporal, sob o impacto dos micróbios necrófagos e dos vermes vorazes!
Evocação, meditação e oração, que, aos contrário, devem ser realizadas em ambiente tão puro quanto possível, para que lucrem, não só os que são objeto da evocação, da meditação e da oração, como, também, o que evoca, o que medita, o que ora. E evocar com alegria, e meditar com serenidade, e orar com confiança! Porque evocar com lágrimas, meditar com pavor e orar maquinalmente a mesma coisa é que não orar, não meditar e não evocar!
Evocar com choro, rememorar o quadro da morte, submeter o parente ou amigo à lembrança dos angustiantes momentos que precederam ao desenlace, não é dar prova de amizade, é sinal de amor egoísta, que não sabe renunciar em proveito da evolução espiritual de outrem. Orar sem convicção, sem sentir no coração aquilo que os lábios proferem, não é orar, é resmungar. Revoltar-se contra o destino, que arrebatou o ente, é atentar contra os desígnios de Deus, duvidando de sua bondade, esquecido de que o ente querido, antes de ser um parente terreno, é um Espírito eterno, filho amado do Criador, que, como Pai sapientíssimo, vela pelo futuro de todos, dando a cada um o destino que lhe convém.
Uma coisa pode ser afirmada, existem duas forças poderosíssimas que unem os Espíritos no além-túmulo: o amor e o ódio. O amor, para felicidade. O ódio, para a reparação. Unidos, desde já, aos nossos parentes e os amigos, pelo vínculo do amor, unidos continuaremos, fatalmente, na vida espiritual. Ligados aos inimigos, pelo desejo de vingança, ligados permaneceremos, para desgraça nossa, nos planos espirituais. Portanto se quiserdes paz e progresso no mundo do além-túmulo, estreitai, cada dia mais, os laços afetivos com os parentes e os amigos, que partiram para a outra vida. Mas não vos esqueçais de vossos inimigos, sobretudo dos que já se libertaram do corpo material, porque, agora, mais livres e menos acessíveis à vossa vigilância, mais temíveis se tornaram, de vez que vos podem prejudicar, sem que disso suspeiteis! Lembre que Jesus mandava amar os inimigos. Destruindo inimizades, irá construir a vossa paz no Mundo Espiritual. Logo, fazendo o bem ao vosso desafeto, o benefício será seu. É o que ensina a Filosofia Espírita.
Retirado do site: www.sepe.org.br

Um comentário:

Unknown disse...

Sem dúvida um dos textos mais belos que já li.....